quarta-feira, 22 de setembro de 2004



Sábado passado eu fui em uma dessas lojas da RyHappy pra comprar alguns brinquedos para meu filho aniversariante. Na ocasião tinha uma repórter da TV Cultura entrevistando os pais com câmera e tudo, como era predestinado a réporter veio interrogar eu e minha esposa.

- Vocês são pais ?
- Sim, somos.
- Vocês podiam responder umas perguntas para a nossa reportagem.
- Claro - respondi
- O governo está fiscalizando todas as lojas que vendem armas de brinquedo, de acordo com uma lei que proibi comercialização desse produto. Você costuma comprar armas de brinquedo para seu filho ?
- Ultimamente está muito difícil achar essas réplicas de armas no mercado. Tinha algumas em casa que consegui comprar no Paraguai mas as crianças já destruíram.
- O senhor acha que as armas de brinquedos podem incentivar a violência ?
- Claro que não. Brincar de polícia e ladrão com armas de brinquedo e um pouco de catchup simulando sangue não torna ninguém bandido. Por exemplo, eu passei minha infância inteira brincando com armas de brinquedo, aquelas que vinham com espoleta e as espingardas de chumbinho, mas nem por isso virei bandido e muito menos policial.
- E os marginais que assaltam utilizando as armas de brinquedo ?
- Acho que você está mal informado. Hoje é mais barato comprar uma arma de verdade que uma de brinquedo, porque de brinquedo quase não existe. É caríssimo. E tem mais, bandido se torna bandido não porque brincou com armas de brinquedo na infância, se torna marginal por causa de um pai que priva o filho de umas boas chineladas na hora que faz as coisas erradas. Pai que cria filho com muita liberdade acaba criando mais um psicopata filho da puta na sociedade - falei babando pelos cantos dos lábios.

Então a repórter resolveu acabar a entrevista sem mais nem menos.
- Muito obrigado pela entrevista, senhor. - disse a réporter sem graça.

Nem acho que eles vão colocar no ar. Esses jornalistas manipuladores de informações, vontade que tenho é de apagar todos eles.

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