terça-feira, 5 de outubro de 2004

Fura Greve

Bom, acabo de pagar todas as contas de minha casa pela internet. Sem ter que ir a banco, sem enfrentar agencia do Banco do Brasil lotada, sem ver um porrão de gente reclamando, em parte, com razão, da greve, sem ter que ficar em pé e trabalhando ao mesmo tempo.
Este simples fato, o de pagar as contas pela internet, fazer transferências e me dar ao luxo de até não precisar tirar dinheiro, não tem porra nenhuma de simples. E mais, mostra o fosso que separa uns poucos como nós, me incluo e incluo vocês leitores e freqüentadores do Abobra, dos milhares que fazem parte até de política de desenvolvimento não só de nosso país. No mundo interiro, onde a tecnologia da informação é emergente, é bonito falar de inclusão digital, da livre e gratuita convivência com as virtudes da internet e das maravilhas da informática.
O mesmo terminal de internet que está nos correios de cada esquina, que serviria pro Gory postar um texto decente que vocês adoram, também serve para realizar transações bancárias, pagar contas, dividir as filas dos bancos por diversos pontos da cidade e para mostrar que a tecnologia da informação tira sim, milhares de empregos e que o salário das máquinas e de uma conexão banda larga com a internet é mais barato que o mais barato dos salários de muitos bancários grevistas, que, às vezes, realizam menos serviço ao publico que as maquinetas em questão. Mas além de serem poucas para muitos, o povo, em sua maioria, agora excluo-nos desta lista, não tem a cultura, a experiência e o convívio necessário com a ferramenta. Não adianta dar acesso a internet se as pessoas não sabem sequer ler.
Quanto aos que sabem ler, tem cultura e experiência necessária e possuem, no momento, o poder de pleitear uma melhor condição de vida através do salário, é muito justa a reivindicação da greve. Se fosse um deles ficaria em greve até que dessem o justo. Quando nos mostramos importantes é que nos dão a devida importância. Quando os proletários históricos, lá em Getulio, vislumbraram sua importância para o país como construtores da nação, o malandro gaúcho deu, do nada um puta abono e melhores condições do trabalho acalmando ânimos e apagando ideais.
Em relação a mudanças estruturais uma verdade: Às vezes é preciso mudar pra que nada mude. E em relação a poder uma constatação: é sempre oportuno e está nas mãos daqueles que podem NÃO fazer. Os bancários têm o dever de trabalhar, mas podem como vemos, não o fazer.

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