Parte 2
Um cheiro apodrecido me embrulhou o estômago, a dona Mirtes parecia esconder algo morto entre as pernas, pensei no dia que beijaria a Virgínea, queria que meus lábios estivessem limpos quando tocasse nela, o sexo da velha devia ter doenças, podia pegar alguma infeção se ingerisse aquele possível corrimento que descia dos lábios vaginais daquela criatura senil.
- Nunca ! - falei, me levantando da cama e tampando o nariz.
- Como é que é garoto ?
- Prefiro matar a minha própria mãe em troca do amor de Virgínea em vez de tocar meus lábios nessa coisa decadente.
Sai do quarto enfurecido. Velha ninfomaníaca ! Poderia me pedir qualquer coisa, menos isso, meus lábios são de Virgínea. Atravessei o portão a maldita gritou pela janela do sobrado:
- Nunca mais volte aqui, filho da puta. Você é um merda, nunca vai ser nada na vida. Pensa que vai comer aquela garota ? Nem pintado de ouro vai conseguir.
Ela continuou gritando, enquanto na bicicleta pedalava a toda velocidade. Me lembro que pedalei por horas, sai do bairro, parei perto de um barranco e fiquei olhando a mata lá embaixo, pensei em pular, mas apenas fiquei sentado enquanto o sol se escondia no horizonte. No dia seguinte depois da aula, não fui na casa da velha. Nunca mais colocaria os pés lá, minha ira era tão grande que chega tremia o corpo e lágrima corria no rosto. Minha mãe disse que a Mirtes tinha ligado, estava querendo meus serviços de jardinagem, fiquei em silêncio. Minha mãe me olhou assustada, essa foi a primeira vez que minha mãe se sentiu intimidada com a minha presença, me falaram uma vez que quando fico muito nervoso, eu começo a olhar pra um lugar fixo no nada, meus olhos ficam sem brilho, um momento em que várias coisas passam pela minha cabeça. Estava apenas pensando.
- Meu filho você está bem ? - disse ela se distanciando.
Me lembro que sai pela porta sem dizer nada e peguei minha bicicleta. Quando voltei a realidade, tinha pedalado até a Rua dos Nobres, até o casarão onde morava a Virgínea, achei estranho, mas subitamente eu tinha uma idéia apontando na cabeça, apertei a campainha que ficava ao lado de um grande portão de aço. A casa do meu amor era grande, de cor branca, um grande sobrado, o terreno muito arborizado, com enorme jardim. Uma moça veio até a porta, trajando um uniforme, era a empregada.
- Pois não ? - perguntou ela
- Vim por indicação da Dona Mirtes.
- Indicação pra fazer o que ?
- Fiquei sabendo que vocês estão precisando de jardineiro
- A patroa não me falou nada sobre um novo jardineiro
- Tem certeza ? Foi a Dona Mirtes que me mandou vir aqui.
- Bom , se foi a Mirtes que indicou, então deve ser verdade. Só não estou entendendo uma coisa, o nosso jardineiro sempre vem as sextas. Não sabia que a dona Maria queria contratar um jardineiro fixo.
Tive sorte. A pobre coitada caiu direitinho, estava dentro da casa, a única coisa que eu queria era entrar dentro da casa dela, isso eu tinha conseguido. Agora pra permanecer lá, eu não tinha nenhum plano, estava sendo guiado pela sorte, fiquei mais preocupado quando ela me perguntou.
- Você trouxe a carta de recomendação da Mirtes ? - perguntou quando entravamos pela área de serviço da casa
- Não trouxe, não sabia que precisaria. - continuava atrás dela
- Vou precisar da carta porque o Sr. Alencar, é muito exigente com essas coisas.
- Sem problemas.
- Aguarde aqui na cozinha, porque eu vou ligar pra Dona Maria, eles viajaram e ela me deu o número do hotel lá em Salvador. Preciso confirmar a sua história.
- Qual o seu nome mesmo ? - perguntei
- Lucrecia.
- Bonito nome - tentei ser simpático, ela sorriu.
A ingênua não conseguiu falar com a patroa, e não achou boa idéia me dispensar com medo de levar uma bronca do seu Alencar, então me mostrou uma casinha com ferramentas de jardinagem no fundo da casa, logo após a piscina e mandou eu começar a cortar a grama na lateral da casa. Durante o dia a casa tinha Lucrecia de empregada e de manhã Virgínia estudava, isso eu sei porque ela é da minha sala de aula, e a tarde ela vinha pra casa, raramente quando saia era pra ir na casa de alguma amiga ou então o maldito namorado a pegava pra fazer passear e fazer não sei o que, então nos três dias que se seguiram eu tinha um histórico dos hábitos de Virgínea, a hora que entrava, a hora que saia. No quarto dia de uma quinta?feira, ela me viu na cozinha conversando com a Lucresia, enquanto tomava água. Ela estava a vontade com um short branco que realçava suas nádegas e uma camiseta, tampando os seios que estavam sem sutiã, tão lindos que seus bicos salientes apontavam na camiseta
- Eu conheço você ! - me surpreendi quando ela disse que me conhecia, nunca me olhou na escola
- Eu também, você estuda na minha sala do colégio São Petesburgo
- Você é o novo jardineiro ?
- Sou sim, sou seu jardineiro. - disse o "seu" com mais força.
- Estranho um aluno do colégio São Petesburgo, trabalhando como jardineiro.
- Minha família não é rica. Meu pai é contínuo no colégio, e conseguiu uma bolsa de estudos pra mim.
- Desculpe minha falta de sensibilidade. É bom saber que temos um jardineiro culto em nossa casa. Bom trabalho. - meu coração batia a mil por hora, como sonhei o dia que teríamos um diálogo
Naquele mesmo dia, Virgínea saiu no meio da tarde com o namorado. Aproveitei a distração de Lucresia, tirei o macacão sujo de terra, limpei os pés e as mãos, e descalço subi as escadas de mármore do sobrado, mais silencioso que uma onça, e procurei o quarto de Virgínea. As paredes tinham um papel de parede com um rosa bem claro, a cama ficava no centro do enorme quarto, um closet ao lado era maior que o meu próprio quarto, vários capas de discos de vinil pelo chão, ela gostava de RPM, Legião, Barão Vermelho, e sobre a cama desarrumada um calcinha usada, peguei ela com minha mão, era branca com rendas, coloquei ela de encontro ao meu nariz, e ali estava aquele cheiro verdadeiro, o cheiro de seu sexo, um cheiro concentrado, o cheiro de sua pureza.
Ouvi pessoas subindo a escada. Ela tinha voltado mais cedo, junto com o namorado e estavam vindo para o quarto. Me dirigi para a porta, eu tinha duas escolhas: entrar no cômodo paralelo a sua porta ou então me esconder dentro do seu quarto.
Agora você decide:
Qual deve ser a reação de João ?
A - Se esconder no closet do quarto de Virgínea.
B - Melhor não se arriscar e entrar no quarto ao lado.
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