quarta-feira, 10 de novembro de 2004



Parte 3

Ouvi pessoas subindo a escada. Ela tinha voltado mais cedo, junto com o namorado e estavam vindo para o quarto. Me dirigi para a porta, eu tinha duas escolhas: entrar no cômodo paralelo a sua porta ou então me esconder dentro do seu quarto. Acreditei novamente com a sorte que tinha me guiado por esses últimos dias e entrei dentro do seu closet, a porta tinha pequenas frestas entre os estrados, e alguns vestidos de festa ficavam pendurados a esquerda, como eu era magro, poderia me encolher atrás deles, com certeza ela não iria xeretar esses cabides.

O tal do Rodolfo tinha entrado primeiro, estava usando uma roupa social, segurava a gravata na mão com o cabelo brilhante de tanto gel, sapato social de bico quadrado, um perfeito mauricinho. Em seguida veio a Virgínea que trancou a porta na chave, e então se jogou nos braços do maldito, lhe arremessando deitado sobre a cama. Ficaram se beijando, ela em cima dele, com seus lindos glúteos arrebitados pra cima debaixo de uma saia que lhe realçava o quadril, e o sortudo embaixo recebendo todo o suor, carícias e os fluídos salivares da minha querida ninfeta. Apenas fiquei observando pela fresta do closet, toda a entrega de Virgínea ao seu amante, uma tortura para mim. Para meu alívio, Rodolfo interrompe o empenho amoroso dela.

- Você está amarrotando minha roupa, tenho uma reunião daqui a pouco. ? disse ele, a empurrando pra trás.
- Porque você as vezes é frio comigo ? - disse sentada sobre a cama enquanto ele se levantava tirando os vincos da blusa.
- O que você quer dizer com isso ?
- Essa sua falta de sensibilidade, as vezes penso que você tem outra.
- Não fale bobagens.
- Todas minhas amigas deixaram a virgindade para trás, acho que sou a última virgem com 17 anos no bairro. Eu não quero descobrir o que é o sexo depois do casamento
- Minha querida, você não é uma dessas garotas que tem pela rua, que transam dentro de carros ou de quatro sobre o chão de alguma garagem, e depois engravidam que nem cadelas. Você é especial, de uma família tradicional e católica, não podemos cair na tentação, temos que seguir os mandamentos, você precisa casar pura.
- E quando eu chupo o seu pau, isso significa o que ? Que tipo de pecado é esse que a nossa querida igreja não condena ?

Nessa hora comecei a suar frio, aqueles lindos lábios já tinham tocado o sexo de um homem, na raiva rasguei sem querer um vestido que me camuflava no ambiente.

- Sexo oral não profana o corpo de ninguém.
- Minha alma talvez esteja profanada ?
- Vamos logo com isso, porque tenho uma reunião daqui 30 minutos.

Ele abriu o zíper da calça, e em pé a frente de Virgínea, pôs pra fora um pênis ainda mole, e mesmo assim ela meteu a boca, e se ajoelhava no chão frio de tábua corrida. Ele começou a acariciar a cabeça dela enquanto sugava seu sexo, e em determinada hora, puxava seu cabelo como se faz com a crina de uma égua, e fazia movimentos pélvicos enfiando o seu pênis garganta a dentro, Virgínea tossia engasgada e Rodolfo dizia "Vamos deixa de frescura, estou quase gozando". Minutos depois, fez ela engolir todo o seu sêmen, e sem nenhuma cerimônia guardou seu instrumento de tortura nas calças e fechou a porta deixando Virgínea na cama sozinha, chorando.

Fiquei ali, sem poder fazer nada, meu coração em taquicardia poderia ser ouvido no silêncio do quarto, mas fora abafado pelo choro e soluços de Virgínea. Queria eu estar do seu lado, limpando suas lágrimas e ouvindo suas confissões, e de uma maneira acabar com seu sofrimento. Apesar de tudo, me aliviava saber que ela não gostava de Rodolfo, um relacionamento de aparências, uma ferramenta preciosa nesse meu complexo plano sem definição, será que nossos destinos eram únicos, ou apenas a sorte estava rindo da minha cara ?

No dia seguinte, naquela sexta-feira, eu tinha um grande problema. Despachar o jardineiro que viria na sexta-feira, a minha sorte é que ele só vinha a tarde e até lá eu tinha que planejar algo, normalmente ele passa o final de semana na casa fazendo seus serviços de jardinagem. Além desse problema, minha mãe me deu uma notícia que me estarrecera logo de manhã.

- A dona Mirtes morreu !
- Como é ? - quase engasguei com o pedaço de pão na boca
- Dizem que foi assassinada, está aqui no jornal.
- Assassinada como ?
- Os vizinhos começaram a sentir um cheiro forte vindo de seu sobrado, arrombaram a porta e encontram ela deitada na cama, com a barriga aberta e as tripas espalhadas pelo quarto. Horrível, horrível.
- Só falta agora a polícia querer falar comigo.
- João, você é só um adolescente, como você trabalhou para ela, devem perguntar se não viu nenhum suspeito rondando a área.
- Essa notícia me pegou de surpresa mãe.
- Ela era uma senhora decente, muito religiosa. Quem fez isso com ela, deve ser um psicopata. Deus tenha caridade com a alma de Mirtes. Me responde uma coisa João.
- Diga.
- Você não foi naquela segunda na casa dela ? Eu te falei sobre o recado dela, os jornais dizem que ela foi morta na segunda-feira
- Não. Eu fui para a casa do Sr. Alencar, eles pagam melhor. Se eu tivesse ido talvez teria evitado sua morte.
- Ou então você também estivesse morto meu filho. Graças a Deus você não foi pra lá. As vezes quando chega a hora, a morte sempre arruma um jeito de concretizar seus planos.
- Mãe, deixa de crendices.

Não consegui me concentrar na aula, fiquei imaginando a velha deitada na cama com a aquela enorme barriga aberta, imagens que de tão reais em minha cabeça me assustavam. Por um momento fiquei feliz quando Virgínea sorriu pra mim na aula de Geografia, pela primeira vez ela notou a minha presença lá no fundo da classe.

No começo da tarde chegando na casa de Virgínea, o jardineiro já estava conversando com Lucrécia em frente ao jardim. Fiquei calmo e segui em frente normalmente, segurando uma tesoura de cortar grama que tinha mandado amolar no comércio.

- João esse é o Lindomar que trabalhava com a gente. Só que temos um problema, ele não recebeu nenhuma dispensa do Sr.Alencar.
- Quem me indicou foi a dona Mirtes, ela que me encaminhou devido a uma suposta carência aos serviços de jardinagem - falei calmamente.

O jardineiro original meio nervoso, começou a levantar a voz.

- Oia aqui muleque, eu trabaio nesse jardim a 8 anos, se o Sinhor Alencar num tivesse sastifeito cum meu trabaio, ele me falaria. E eu conheço a dona Mirtes, já trabalhei no jardim dela, vou lá agora acabá com essa duvida. - disse levantando o dedo na altura do meu nariz
- Dona Mirtes faleceu. - disse calmamente
- O que ? - disse os dois em uníssono.
- Isso mesmo. Foi brutalmente assassinada. Se querem tirar uma dúvida terão que esperar o Sr.Alencar chegar de viagem nesse sábado. - completei

Os dois ficaram olhando pra minha cara, um silêncio incômodo pairava no ar, comecei a ficar preocupado. Então Lucrécia prossegui com a discussão:

- Vou ligar agora para a Dona Maria lá em Salvador. Ela deve estar com o Sr. Alencar, vamos por fim nesse porém.
- Lucrésia, acredite em mim ! - estava ficando nervoso e segurei o braço de Lucrésia
- Larga o meu braço garoto.

Não gosto de ficar nervoso porque quando isso acontece, começo a suar muito, minhas axilas ficam molhadas, começo a ficar tonto. As pessoas me olham intimidados, começo a olhar para o vazio, várias coisas passam pela minha cabeça. Dizem que meus olhos ficam embaçados, meu olho começa a virar como de um epiléptico tendo um ataque. As vezes desmaio ou então tenho um lapso de memória, as recordações que tenho nesse momento são estranhas.

Recobrei a consciência, estava lá no fundo do jardim, olhei para minha blusa eestava coberta de sangue assim como minha mão, e ao lado no chão vi um tronco humano desmembrado, pés, pernas, braços e as cabeças do jardineiro e a empregada amontoadas ao lado da tesoura de cortar grama com suas lâminas sujas de sangue. Vomitei o meu almoço sobre o chão, apalpei depois o meu corpo para ver se não tinha nenhum ferimento, estava intacto, cheguei a conclusão que o psicopata tinha atacado de novo, mas não entendi o porque de ter poupado minha vida, acho que queria me incriminar, essa era a única lógica naquele momento. Por algum motivo o maldito, queria limpar seu nome, a polícia com certeza deveria estar no seu encalço, com certeza ele usou esse mesmo cortador de grama contra a dona Mirtes, mas acho que ele não contava que eu fosse acordar tão cedo do meu ataque epiléptico.


Agora você decide:
Qual deve ser a reação de João ?


A - Enterrar os corpos da empregada e do jardineiro e continuar com o plano de conquistar Virgínea.
B - Ir até a polícia e dizer que ouve um duplo assassinato na casa do Sr.Alencar.

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