sexta-feira, 22 de setembro de 2006

AS AMEAÇAS DE GORY - parte 2



Depois de um tempo meditando, resolvi ir na 44ª DP prestar uma queixa contra o Gory. "Esse demente está me ameaçando pelo celular e ainda seqüestrou a minha avó! Esse maldito vai pagar caro por isso!!!", pensei. Ao chegar na delegacia um policial mal-humorado me pede para aguardar. "O doutor Noronha está meio ocupado. Senta aê!", disse o simpático. Após 2o minutos de espera o policial me pede para entrar na sala do delegado. Ao entrar eu vejo um senhor com a cara do Clint Eastwood vendo a Private do mês com um garoto de 5 anos:

- Olha esse bucetão, filho! NUOSSA! UAU!!! Se tua mãe tivesse uma dessas tu ia ter mais dois irmãos fácil, fácil. E olha esse cuzinho, vixi!
- [eu interrompo] Hã, bom dia. Eu estou sendo ameaçado.

Os dois me olham com cara feia. O garoto resmunga alguma coisa no ouvido do pai e continua a leitura da Private. O delegado Noronha me encara:

- Desembucha, rapá!
- Olá, doutor Noronha! Gostaria de prestar uma queixa.
- [irônico] Uma queixa na delegacia? Jura?! E qual é o problema, cacete?
- Bem...eu sou blogueiro e...
- Tu é blogueiro? Tu escreve em blog?!? Puta que o pariu! [Gritando para fora da sala] VASCONCELOS! ADEMIR! Venham aqui ver esse viadinho que escreve em blog!

Dois policiais musculosos entram na sala. Eles olham para mim e começam a rir apontando o dedo na minha cara. O doutor Noronha continua a conversa:

- Aí, camarada, odeio blog, tá ligado? Aquele monte de viado escrevendo em diarinho, aqueles imbecis comentando...porra, vá se fuder! E qual o nome do seu blog, donzela? Point fofo? O diário do anjinho lindinho?
- [sem graça] Errrr...bom, eu escrevo em um blog chamado Buldozer e em outro chamado Abobra.
- Abobra? Sei.

O policial Vasconcelos chega perto de mim com um ar ameaçador:

- Doutor, você quer que eu arrebente esse blogueiro de merda? Não gostei dele!
- Calma, Vasconça! Vamos ver o que a mocinha veio dizer.

Sinto que o clima na sala está tenso. "Ué, mas o que está acontecendo aqui? Eu venho prestar queixa e sou agredido sem parar? Que merda é essa?!", penso com meus botões. Antes de falar alguma coisa, eu percebo que o filho do delegado está me encarando com um olhar sinistro. O garoto tem a pele muito branca e está usando um macacão vermelho do Bob Esponja. O Bob Esponja me faz lembrar imediatamente do pacote que o Gory me enviou com o celular vermelho e o lábio vaginal de minha avó:

- Senhor Noronha, o dono do Abobra está me ameçando! Ele é doente, entende? Sabe, ele me mandou um pacote e [engolindo seco]...hã, olha, seu filho está me deixando sem graça, sabia? Ele tem um olhar meio esquisito!
- E daí?! Tem medo de criança? O moleque só tem 5 anos, porra! Eu gosto de trazer o moleque aqui para ele pegar o gosto de ser policial, sacou? Eu acho que ele leva jeito pra coisa. Mas a presença dele está te incomodando, princesa?
- [suando frio] É...humm...acho que sim, sei lá.
- E qual o seu nome mesmo?
- Reinaldo...
- Que merda de nome, hein? Tua mãe tava inspirada, hein?
- ...
- Mas deixa eu adivinhar a tua história: o dono do Abobra te mandou um pacote com um celular vermelho e um pedaço de buceta de algum familiar teu. Aí o celular toca e ele começa a te ameaçar pra você escrever um post engraçado ou ele vai detonar o teu familiar seqüestrado. Acertei?
- [espantado] M-mas...como você sabe disso?!

O delegado Noronha me mostra a mão esquerda dele. Nela eu vejo um anel de abóbora cinzento. O delegado se levanta e coloca o anel bem em frente da minha cara:

- Meu filho, o Abobra Corporation está em lugares onde você menos imagina. Vasconça e Ademir, mostrem pro menino aqui...

Os policiais chegam perto de mim e tiram a camisa. Em seguida apontam os mamilos, onde eu vejo dois piercings em formato de abóboras que piscam ao serem tocados. O Ademir me encara:

- Imbecil, a gente já sabia que você estava vindo para cá. Não há nada que você faça que a gente não saiba. [Se vira para o delegado Noronha] Doutor, agora podemos quebrar essa boneca?
- Ainda não! O chefe quer ver ele - responde o delegado Noronha.

Nisso o filho do delegado começa a revirar os olhos e a babar:

- ABOBRA! ABOBRA! ABOBRAAAAAA!!!!!

De repente os olhos do garoto começam a emitir uma luz vermelha intensa. "Oh, meu Deus!", grito assustado. Em seguida a sua roupa se desintegra e ele começa a flutuar nu pela sala gritando "abobra" sem parar. A luz de seus olhos fica cada vez mais intensa até que eu fico completamente cego e perco os movimentos do corpo. Em seguida eu me vejo no espaço sideral tendo visões desconexas. "Será que eu morri?", penso em desespero. No espaço eu vejo o Cazuza pelado sendo perseguido por duas abóboras rolantes, vejo duas velhinhas fazendo um 69 dentro de um tanque com sementes de abóbora, vejo o Alckmin sendo enrabado pelo Enéas no meio de uma plantação de abóboras e vejo duas abóboras gigantes vestidas de bombeiro apagando um incêndio com molho shoyu. Por fim eu vejo uma abóbora com bigode vindo na minha direção gritando "ABOBRA CORPORATION!! Hua hua hua uuuaaaaaahhh raca raca raca CÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!".

De repende eu sinto um formigamento no corpo e eu me vejo fora da delegacia. Minha cabeça dói e eu não consigo respirar direito. "Como eu vim parar aqui?", penso desorientado. Caio no chão e tento gritar por socorro, mas não consigo gritar. No momento que estou agonizando no chão passam as duas velhinhas que eu vi nas visões fazendo um 69. Elas se aproximam de mim:

- Nossa, esse menino está passando mal! Vamos levar ele pro hospital, rápido!
- Umbelina, eu acho melhor deixar esse menino aí. Ele está é drogado!
- Não está, não! Vamos logo levar ele pro hospital, rápido!

As duas me puxam pelo braço e sinto um forte bafo de buceta vindo das duas. Em seguida eu desmaio.

Reinaldo Bruto

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