terça-feira, 16 de janeiro de 2007




Estava eu, em plena segunda feira, aproximadamente dez horas da noite, sentado num banquinho do shopping Estação Plaza Show, perto da locomotiva que fica em frente ao museu ferroviário, bem no final do shopping para quem não conhece, tentando curar um porre para poder voltar para casa quando apareceu o Anderson.

O Anderson era o cara mais retardado que havia na escola. Não, não era arruaceiro, apenas maluco e maconheiro. Tão maconheiro que até as professoras chamavam-no de Anderson Brown. Não sei se elas entendiam o significado ou iam no embalo da turma que acabou suprimindo o nome do coitado e o chamando apenas por Brown, mesmo ele sendo branco quase albino.

- Daee verme, que ta fazendo ai?
- Esperando melhorar para pegar o ônibus.
- Mas aqui não é ponto de ônibus! Vai de trem é? Huahauahu...
- Posso vomitar sossegado? ? e aponto o vasinho de planta já todo cheio de restos de fritas e ácidos estomacais corados de verde-caipirinha do Town-Cawa.
- Porra, saiu para beber e nem convidou, né maluco.
- No Town-Cawa não se pode fumar maconha, seu idiota ? Já perdendo a paciência com o chato.
- É verdade. A área para os maconheiros aqui no shopping é essa aqui. Lá dentro nem cigarro não pode. Filhos das putas. ? Já acendendo um resto de baseado tirado não sei de onde, pois estava regando a planta com vômito mais uma vez.
- Porra bicho, sai com essa merda pra lá. Não, não vou querer!
- Azar o seu. E sai você. Aqui é área de fumar meu unzito. Vomitar é lá no banheiro ? Fshhhhhhhhhhhhh.... Fshhhhhhhhhhh... hummmmmmmm.... fuáaáááááá

No momento que a primeira nuvem de fumaça ganhou o ar através de seus pulmões acenderam-se holofotes em nossa direção, por cordas desciam seguranças dos telhados, do vaso vomitado, a plantinha levantou sob o capacete de um sujeito camuflado com um uniforme escrito S.W.A.T e a cara dele era só caipirinha e batata frita vomitada. Esse olhou para mim com sangue nos olhos. Quis explicar que o maconheiro não era eu, mas ele tentava segurar uma arma que insistia em escorregar-lhe das mãos meladas de líquidos estomacais e percebendo a brecha, vazei.

Pulei dentro de um bueiro aberto que dava diretamente no esgoto do shopping.

- Puta que pariu. Esses ricos cagam mais fedido que qualquer um ? Pensei eu ? Olha o tamanho deste troço. Haja cu ? E chutei aquela coisa preta que vinha em minha direção. Chutei e a coisa gritou.
- Vai chutar a mãe, seu bosta.
- Pronto, To falando com uma merda! E ela me xingando de bosta.

Meus olhos mais acostumados à escuridão reconheceram a figura estranha. Era um rato. Um rato que andava sobre dois pés, calção vermelho e orelhas redondas, grandes e apontadas para cima.

- Mickey Mouse, porra desculpa cara, oque você faz por aqui?
- Estou fugindo dos nazistas, sua besta!
- Caralho Mickey, tu é judeu?
- Não!
- Huhauauauau... Tu é gay!!! Huhauhauaha
- Vai se foder, não ta vendo não? Sou preto seu burro!
- Cara, mas tem alguma coisa errada. Tu está no Brasil, que eu saiba tu não viveu na Alemanha e a guerra já acabou!!! Vem, eu te levo lá fora e tu vê com os próprios olhos.
- Tira a mão de mim, tira a mão de mim... Socorrooooo...

Nisso surge uma tartaruga, com uma espada reluzente encostada no meu estômago.

- Caralho, uma tartaruga ninja? Puta que me pariu!
- Tartaruga ninja é o caralho. Meu nome é Touchê. Quietinho ai rapaz.
- Mas eu nem fiz nada ? Tento justificar mas sou interrompido pelo Mickey:
- Fez sim, Primeiro me agrediu com um chute, agora estava me agarrando.
- Teje Preso!!!
- Eu tenho direito a um advogado, tenho direito a uma ligação!
- Peça isso para o delegado lá de cima.
- Delega lá de cima? Nem faz isso cara. Podemos acertar por aqui mesmo...
- Aqui, você está fora de minha jurisdição, é com ele mesmo que você vai se acertar.

A tartaruga entregou-me para o cara da SWAT. Ele nem tava tão nervoso mais. Depois soube que era um Holandês naturalizado Americano. Apenas ligou para meus pais irem me buscar. Tentei explicar que caipirinha é droga lícita, mas todo lambuzado de merda, foi impossivel convence-los que eu não fumo maconha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Abobra Diário.