quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007


Já adolescente, Leandro carregava consigo trauma de sua infância. Culpava os pais e a si mesmo por ter trocado os amigos por um brinquedo estúpido. A conseqüência de um ato bobalhão como daquele remoto dia das crianças tornara-o um adolescente misantropo, distante de qualquer convívio social. O oposto de Jorginho que com seu humilde brinquedo, uniu ainda mais a turminha e dela tornara-se o líder. Percebia agora que o dinheiro não era tudo. Como gostaria de ter sido como o humilde coleguinha.

Para amainar sua solidão, dedicou-se aos estudos e a leitura. Leitura prazerosa, na qual nutria uma estranha amizade com os personagens. Muitas vezes maldizia o escritor por ter dado final tão injusto a um personagem amigo seu.

No colégio tirava as melhores notas. Sua idéia era que se fosse o melhor aluno da sala, os outros se achegariam a ele e finalmente seria aceito. Errou de novo. Era o típico Nerd excluído. Acabou aceitando sua sina e dedicou-se a estudar mais ainda. Se fosse uma pessoa de sucesso as coisas mudariam.

Primeiro lugar geral na UNB formou-se com louvor. Montou uma respeitável banca de advogados. O sucesso profissional lhe rendeu o respeito dos sócios e funcionários. O dinheiro lhe rendeu uma bela noiva. Tão logo reformou o casarão herdado dos pais, com ela se casou.

Leandro sabia que sua mulher casara-se quase que exclusivamente pelo dinheiro, mas não se importava. Fingia que não sabia e resolvia o problema de sua carência afetiva. A mulher lhe ouvia em tudo e sempre tão cheia de chamegos com ele, fazia gosto pagar todas suas extravagâncias. Além de tudo, Dulce fora a primeira mulher de sua vida. Ensinara-lhe coisas nunca imaginadas nem nos seus maiores momentos onanistas. Até chamava-lhe de pirocudo no auge da transa. Como era bom ouvir isso. Como era boazinha Dulce.

A mulher tinha um raro dom para criar círculos de amizades. Com ela, Leandro passou a freqüentar a alta sociedade, freqüentar e oferecer banquetes monumentais além de se inserir nos mais altos círculos intelectuais. Isso era bom. Ainda assim não esquecia da turminha do Jorginho brincando no fim da ladeira. Brincavam porque eram amigos. Quando a bola acabou-se logo inventaram outras brincadeiras e continuavam juntos. A maioria ainda mora na mesma rua e ainda são amigos. Menos dele. Oque aconteceria se seu dinheiro acabasse? Os vampiros sumiriam? Com certeza! Talvez até a mulher pediria divórcio.

Um dia, após o cancelamento de uma reunião chegou mais cedo em casa. Entrou e logo percebeu grande algazarra em casa. Estranhou Dulce não ter avisado que teria visitas. Seguiu o rumo das vozes e estremeceu quando percebeu que vinham de seu quarto. Pé ante pé chegou à porta. Mesmo sem poder entender oque diziam, o forte cheiro de sexo no ar denunciava oque acontecia lá dentro. Não falavam. Gemiam.

Pelo buraco da fechadura avistou sua mulher nua, montada sobre Jorginho enquanto chupava outro. Percebeu que havia um terceiro homem no quarto quando ouviu este dizer "Este Leandro é um sortudo mesmo. Olha que mulher tarada que ele arrumou" enquanto preparava-se para penetra-la por trás numa dupla penetração insana. Um outro completou "Esta mulher é nossa alegria. Viva o Leandro"

Leandro queria entrar lá e acabar com a festa, dar porrada em todo mundo, mas sabia que seu físico não era páreo para qualquer um deles e saiu atuardido. Não sabia oque pensar nem como reagiria. Pegou o carro novamente e dirigiu-se ao boteco mais próximo. Iria embebedar-se pela primeira vez na vida.

Já na primeira cerveja, um sentimento estranho apoderou-se dele. A raiva amainava e sua tez fazia-se menos retorcida. Um pensamento tomou forma, com um sonoro tapa na mesa exclamou: "-É isso". Desistiu de embebedar-se. Como alguém pode gostar de algo tão amargo como cerveja? Pediu uma coca light e fez tempo para voltar para casa. Buzinou antes de recolher o carro, entrou em casa fazendo barulho. Foi recebido com dengues e chamegos de Dulce que logo exigia um sexo selvagem. Imediatamente, que estava com saudades. Insaciável ela. Aceitou, só acordou em pensamento que não lhe chuparia, mas Dulce sabia ser convincente e resignou-se.

Enquanto ela fumava seu cigarro pós-foda, ainda deitados no carpet da sala, Leandro fala:
- Amor, mês que vem é meu aniversário, podíamos fazer a festa aqui mesmo e convidar o pessoal da rua, né?
- Quem? O Jorginho e aqueles outros pés-rapados lá de baixo?
- Pois é, acho que devíamos praticar mais a boa vizinhança.
- É, pode ser. Eles ficarão felizes.
- Você organiza a festa?
- Claro meu amor. Você é tão bonzinho. Ah, que coração gigante bate aqui. ? Passando a mão delicadamente sobre o gordo peito do marido

A excitação lhe voltou e partiu novamente sobre a mulher com um imenso sentimento de satisfeito. Reuniria de novo os amigos, e agora a bola era dele. Uma bela bola.

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