
Pacheco, funcionário publico por vocação de seu padrinho político, separa antigas fichas cadastrais em sua mesa. Cada vez que o enorme ventilador da repartição vira em sua direção, ele apóia o cotovelo sobre os papeis, evitando que eles voem. E isso acontece de 2 em 2 minutos. Aderbal é seu chefe. Ele atravessa a sala em passos lentos, cumprimentando os subordinados num pequeno movimento com os olhos. Quando passa em frente à mesa de Pacheco, nota algo diferente:
- Pacheco, o que é isso na sua cabeça?
- Tem algo de errado? - Pergunta Pacheco segurando os papeis.
- Acho que sim, tem uma mosca pousada no seu chifre.
- COMO?!??
- Esquece, o vento fez ela voar.
Táticas de proteção ao corno manso violento.
Pacheco chega bufando em casa.
- Silvia, sabe o que meu chefe disse hoje?
- O que amor?
- Que havia uma mosca no meu chifre!
- Uma mosca?
- No CHIFRE!
- Descuido seu. Deixa eu te dar uma lavada gostosa nesses corninhos lindos que mais nenhuma mosca chata vai ficar te aborrecendo...
- Cornos lindos?? Meus cornos são bonitos?? - Fala Pacheco confuso enquanto passa a mão na testa.
- Os mais lindos que já vi! Mas são meus! Não quero saber de nenhuma vagabunda dando em cima de você, ouviu bem, seu safadinho?
- Sou homem honesto, Silvia. Mas será que o chifre estava sujo mesmo? Ai que vergonha...
- Esquece isso amor, vou limpar e deixar eles brilhando com Poliflor.
- Devo agradecer sempre a mulher maravilhosa que Deus colocou em minha vida...- Diz Pacheco entrando no banheiro abraçado com Silvia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Abobra Diário.