
Ernesto está sentado no chão diante da privada esperando o estômago regurgitar a cuba libre da véspera. Está pálido de tanto vomitar, seu olhar perdido no vazio é indecifrável. Tenho a impressão de que ele está para entrar em coma alcoólico.
- Sabe no que estou pensando, Worm? – Diz Ernesto rompendo o silêncio
- Sei. Ta jurando a si mesmo que nunca mais vai beber.
- Não. Nada disso. Vomitar é um processo natural.
- Então fala logo.
- Tava pensando em fazer uma viagem a Cuba.
- Porra. Nem rola. Aquele Fulgêncio é alinhado com os Estados Unidos e sabe como é né...
- Sei. Esses americanos imperialistas malvados me dão nojo. Querem dominar tudo...
- Pronto. Lá vem você com esses papos. Não gosto porque esses putos são uns capitalistas esfomeados pra caralho. Pobre não tem vez naquelas bandas.
- Tava falando com o Fidel dia desses justamente sobre isso. O apêndice que limita a soberania está por vencer. Se lutarmos, conseguimos o domínio total do país e expulsamos esses canalhas de lá.
- Hummm. Nós no poder? Não é má a idéia.
- Socialismo na veia, bicho.
- Sim sim sim... Putas de família é oque há. Charutos em vez desse Derby maldito e rum legitimo em vez da cachaça El Leon. Podíamos até plantar umas ervas por lá. Todo mundo livre pra trepar e procriar a vontade e essas coisas todas.
- E não seria vergonhoso não gostar de tomar banho.
- Putz. Tu é porco pra caralho mesmo bicho. Não vai vomitar mais? Então sai pra lá que quero cagar.
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