quarta-feira, 2 de maio de 2007

Ryokan e o ladrão





Ryokan era incapaz de fazer acusações. Embora fosse um grande mestre do zen budismo, jamais julgou-se melhor que os outros.

Um de seus discípulos pediu que conversasse com o irmão salteador, que aterrorizava a cidade. Ryokan, numa demonstração de boa vontade foi até a casa do bandido.

Não trocaram uma só palavra. Ryokan puxou de seu Trezoitão e enfiou cinco balaços no marginal.


No outro dia pela manhã o irmão do marginal pergunta ao sábio.

Como foi a conversa, mestre? Ele compreendeu seus ensinamentos?

- Este nunca mais dará trabalho. Ao ouvir isto, as lágrimas do discipulo começaram a lavar seus pés.

- Obrigado grande mestre. Meu irmão precisava de uma luz, de uma companhia prudente como a vossa, pois em sua vida toda viveu só em meio de outros salteadores ou fugindo de policiais interessados em o condenar.

- Garanto que isso é passado.

- Que disse o mestre para conseguir tal façanha.

- Meu filho, aprenda que as palavras valem menos que atos. Disse-lhe apenas “Bandido Bom é bandido MOOORRRTO... Tá no colo do capeta, no bico do Urubu”... Não gostou? Leva pra casa então.

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