Ryokan e o ladrão
Ryokan era incapaz de fazer acusações. Embora fosse um grande mestre do zen budismo, jamais julgou-se melhor que os outros.
Um de seus discípulos pediu que conversasse com o irmão salteador, que aterrorizava a cidade. Ryokan, numa demonstração de boa vontade foi até a casa do bandido.
Não trocaram uma só palavra. Ryokan puxou de seu Trezoitão e enfiou cinco balaços no marginal.
No outro dia pela manhã o irmão do marginal pergunta ao sábio.
Como foi a conversa, mestre? Ele compreendeu seus ensinamentos?
- Este nunca mais dará trabalho. Ao ouvir isto, as lágrimas do discipulo começaram a lavar seus pés.
- Obrigado grande mestre. Meu irmão precisava de uma luz, de uma companhia prudente como a vossa, pois em sua vida toda viveu só em meio de outros salteadores ou fugindo de policiais interessados em o condenar.
- Garanto que isso é passado.
- Que disse o mestre para conseguir tal façanha.
- Meu filho, aprenda que as palavras valem menos que atos. Disse-lhe apenas “Bandido Bom é bandido MOOORRRTO... Tá no colo do capeta, no bico do Urubu”... Não gostou? Leva pra casa então.
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