quarta-feira, 9 de maio de 2007

Um texto sem gosto e sem orgulho.

Em cada parágrafo um desespero. Idéias minguadas, desconexas e incoerentes que se recusam a passar para o papel. Minhas mãos, instrumentos de conexão entre a cabeça e o papel estão trêmulas, garranchando abusadamente. Uma ressaca sem porre, dor inconstante, descompassada como minha respiração sôfrega. Vai e volta de segundo em segundo.

A música se mostra incapaz de ajudar qualquer concentração, a cabeça vazia clama, eu cedo e acendo o primeiro cigarro do mês. Uma tontura gostosa contrasta com o amargo sabor da fumaça. Havia esquecido o quanto fede e o quanto é bom. O corpo gosta, respira mais aliviado, mas não abre mão de ver todas suas exigências cumpridas. Preciso beber.

Janela aberta para ventilar o enfumaçado quarto, cinzeiro cheio. Cigarro entre os dedos e a caneta solta sobre uma folha teimosa, sempre em branco. O relógio bem à frente marcando os minutos para abrir a padaria indica: Está na hora.

Esquecido do frio e dos cabelos desgrenhados peço meia dúzia de pães, patê e duas garrafas de Conhaque Presidente, o melhor que se vende neste bairro. Não esquecer de comprar mais cigarros.

Jogo os pães em cima do sofá e de copo e garrafa na mão volto à escrivaninha. O gole rasgante me abre um sorriso dolorido e feliz. Em uma alegre hora acabo com a primeira garrafa, passado o desespero, mãos firmes e mente mais calma me dá condição de voltar a escrever, bebericando com parcimônia o conteúdo da segunda garrafa.

O sol se mostra por completo, reclinado na minha poltrona espero com calma uma idéia. É questão de tempo. De mãos firmes e pernas bambas vou ao banheiro vomitar. Até nisso há regozijo. Uma água no rosto e uma idéia surge na mente nublada, a melhor depois de uma noite insone, digo até que é perfeita. Olho a triste figura refletida no espelho e lhe digo: Escrever é o caralho, vou dormir! E fui. Feliz e sereno.

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