terça-feira, 26 de junho de 2007

The Power.


Penso em Deus, como se pudesse fomentar todas minhas duvidas, livre de perguntas sem resposta.

Dentro do coletivo, Alcântara me olha desconfiado:
- Capaz de dar certo, Machado. O difícil é passar pela guarita...

A capacidade era sobre natural. Aquele homem sempre descobria meus pensamentos.

- Que guarita, Alcântara?
- Guarita da cadeia. - Responde com firmeza.
- HÃ?? Que cadeia??
- Não negue que você pensava numa fuga. Para você fazer tudo isso tem que fugir da prisão.
- Mas...não pensei em nada disso.
- Não?!? Estranho. Li isso em seus pensamentos.
- Incrível Alcântara! Agora você descobre o que eu nem pensei. Pois saiba que agora mesmo já me imagino fugindo de uma prisão! Vejo ate a guarita!
- É.
O ônibus sacoleja numa rua mal pavimentada e o motorista desabafa alguns palavrões. Alcântara levanta o olhar em desaprovo.
- Olha o respeito, tem mulheres aqui!
Confiro o lugar e aviso:
- Tá chegando meu ponto.
- Eu já sabia disso. - Afirma o vidente, sempre descobrindo o que vai acontecer, sempre prevendo o futuro. - Hoje eu pago sua passagem, Machado. - Diz já colocando o dinheiro na base da roleta.
- Não precisava... - Digo envergonhado. Alcântara pergunta ao cobrador:
- Quanto é?
- Dois Cruzeiros cada um.
- Faz três nas duas?
Na portaria do edifício, mais uma demonstração do poder de Alcântara.
- Machado, pense numa cor.
- Pensei.
- Verde?
- Não.
- Azul?
- Não.
- Preto?
- Não...
- Vermelho!
- Não.
- Amarelo??
- Isso, amarelo! Cara, você já pensou em ganhar dinheiro com isso? Você adivinha tudo!
- Não posso. Seria injusto.
- Bom, você que sabe.
- Ate amanhã vizinho. – Diz o vidente subindo mais um lance de escadas do prédio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Abobra Diário.