terça-feira, 17 de julho de 2007

Continuação...

Entro e faço um barraco? Acabo com ela e com o “amigo” traidor?

Não.

Deixo a casa, vou pro bar. Espero dar minha hora habitual de chegar.

Vou pra casa umas 2 horas depois. Virgínia (irônico nome) me recebe como de costume. Com sua camisola preta e chinelos. Banho tomado, sorriso na cara. A cara mais lavada do mundo. Nada deixava transparecer. A vida estava perfeita.

Dou o habitual beijo de boa noite. Sigo pro quarto e vamos dormir. O ódio que eu sentia de Virgínia era o pior sentimento que já tive. Não preguei o olho um minuto naquela noite. Só pensava em me vingar dessa devassa e de seu amante. Mas frio e calculista que sou, esperei a hora certa de comer o prato gelado da vingança.

A quinta feira foi longa. O relógio parecia que andava pra trás. Os programas, os filmes, os afazeres diários em dia de folga pareciam não ter fim. Até que recebo no meu e-mail a escala das lutas do final de semana. Sexta feira, última luta, fechamento da noite. Eu estava escalado para perder. Demolidor X Jony Green. Eu X Renato. Era minha chance.

Virgínia adorava a vida que a luta livre nos proporcionava. 2 noites por semana, a 2500 por noite, nos dava uma ótima condição de vida no final do mês. Mas ela nunca ia assistir as lutas. Alegava nervosismo.

Insisti pra que fosse nessa sexta. Disse que seria uma noite especial. A merda da dupla sertaneja que ela adora ia tocar antes da última luta. Convite aceito.

Noite de casa cheia. Luta 1, 2, 3, 4, 5 e começa o show. Virgínia na primeira fila. E eu e Renato nos preparando para a última luta. Como se nada soubesse, trocamos idéia no camarim. Mandei o cara que faz as tatuagens artísticas tatuar um pitbul sendo estrangulado por mãos parecidas com as minhas, inclusive com os adereços que eu usava como munhequeiras.

Termina o show, começa a luta final.

Escalado para perder, não comecei como de praxe. Não segui o roteiro. Esperei o apresentador fazer as honras da casa. Soa o gongo. Meus olhos eram puro sangue. Minha boca salivava. E eu parti pra cima de Jony Green. Pra começar, um soco, bem colocado. Boca do estômago. Quem já levou uma pancada dessa sabe como é difícil respirar depois. Não dei tempo para reação do sujeito.

Com o corpo curvado, e tentando recuperar o fôlego, leventei-o pelos cabelos cemecei a enforca-lo. Ele começou a perder a força então o soltei.

O Público delirava. Nunca havia assistido uma luta como essa. Virgínia, tampava os olhos. Não assistia a luta.

Renato tenta uma reação. Me esquivo de seus golpes e revido com mais força. Socos nas costelas, na altura dos rins, no meio do peito, fazem com que suas forças sejam minadas aos poucos.

Até que me canso daquilo, e vou pro golpe final. Renato, que estava com a boca e nariz sangrando a essa altura, não consegue mais andar no ringue. Dou-lhe uma muqueta no queixo, que o faz cair no tablado. Eu o levanto na horizontal, a uma altura maior que a minha cabeça, coloco um de meus joelhos no chã e o deixo cair violentament com sua coluna de encontro ao meu outro joelho. Golpe clássico de luta livre, mas que quando executado com seriedade, pode ser fatal a quem recebe o golpe.

Final da luta. Minha vingança estava concretizada.

Desço do ringue. Anunciado na primeira vez da história da luta livre o Demolidor como vencedor. Passo no caixa, recebo o que me é de direito. Pego Virgínia na primeira fila e vou pra casa. Ela não diz nenhuma palavra o caminho todo, estava assustada, branca, trêmula.

Chegando em casa, mando-a arrumar as coisas. Só leva o que trouxe antes do casamento. O resto fica. Coloco-a dentro do carro, e a despacho pra casa de sua mãe. Não expliquei o motivo. Ela também não perguntou. Nada sobre o ocorrido foi dito. Também, não precisava, ela sabia o que tinha feito, e o que gerou minha ira.

Renato nunca mais andou depois daquela luta, fratura nas vértebras. E o grupo o qual fazíamos parte nunca mais se apresentou. o Demolidor não mais existia...

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