quarta-feira, 4 de julho de 2007

Tatarana

A falta de mantimentos torna inadiável a ida à cidade. Nessas ocasiões de festas prefiro não ir, mas em junho esses caipiras dos infernos festejam um mês inteiro e com os mantimentos todos faltando em casa não tem jeito. Botei as botas e fui mais Midinha, com intenção de ir reto no armazém e logo voltar, mas quis ela passar na igreja pra confessar. Eu que lá não gosto de rezas fiquei de fora, esperando.

Quando saiu trouxe o junto o padre pra fora.
- Eita mulher que deve ter pecado. Mais de dez minutos pra desembuchar –falei já sem paciência quando ela apontou na porta, cumprimentando o padre meio que de lado, sem tirar o chapéu da cabeça nem o cigarro dos beiço.
- A conversa com Deus é essencial para a alma, bom homem.
- Então, quando voismecê conversar com ele, peça para que seja mais pai nosso e menos juiz, Sêo Padre.
O padre ao se aproximar, com um sorriso bondoso me estendeu a mão pro beijo, com um baita anel vermelho no dedo.
- Qual é sua graça, meu filho?
- Olha seu padre, o senhor não me leve a mal, mas não me venha de graças e nem me tome por “bom homem”. Pergunte a Deus que ele logo lhe desengana a meu respeito. Disse enquanto dava um forte aperto na mão do sujeito que a oferecia-me ao beijo, um aperto como o de macho tem de ser. – Meu nome é Tatarana, já deve ter ouvido falar.

Dei as costas apressando midinha pra arredar pé logo.
- Eita homem, isso é jeito de tratar o Santo Padre?
- Esse bicho parece viado.
- Não fala assim que Deus castiga, homem.
- Toleima. E tu já viu padre macho, mulher?

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