Novos Talentos.
Muda o nome do autor que to com o filme queimado.
Covalini
Este texto foi enviado por Manuel Carlos.
Eu sou muito nervoso. Xingo todo mundo, ando de cara fechada, pareço mulher com TPM em dia de jogo. Um saco! No trabalho eu "exploro" todo mundo, mando tomar no cu qualquer um que vier fazer gracinha. Não tolero apelidos. Vivo estressado. Meus chefes até solicitaram que eu ingressasse num programa de terapias para os funcionários da empresa. Todas as psicólogas desistiram de mim. E tou pouco me fudendo. Apenas uma delas, numa parca tentativa vã, receitou-me, por fora, alguns calmantes. Resolvi testar, mas, quando vi a porra do preço, mandei o farmacêutico ir se foder. Um dia desses eu estava a descer pelo elevador, indo para o trabalho. O pessoal vai entrando, em cada andar, e começa a distribuir "bom dia" pra tudo quanto é lado. Me restrinjo a olhar de cara feia. Bando de hipócritas! Não conheço ninguém naquela porra de prédio e ficam me desejando bom dia? Pra quê? Que desperdício de saliva! Cheguei à minha garagem e nem pestanejei. Entrei no meu carro, coloquei meus óculos escuros e dei a partida. Ao fazer a primeira curva de uma série interminável de manobras deparei-me com uma coisa que me fez sair de mim mesmo. Uma mulher, aos seus trinta e poucos, havia chegado há pouco. Era linda! O corpo estava esbelto. É aquele tipo de mulher: casada há uns 5 ou 6 anos, com um filho pequeno, um corpo sarado e trabalha fora, longe do marido. Uma mulher ideal! Aquele sorriso.. Ah! Que sorriso!Foram breves milésimos de segundos que pareceram uma eternidade. Tirou-me do sério. Esqueci meus rancores, esqueci do meu trabalho, esqueci até que dirigia o carro. Notei que ela arrastava uma mochila, daquelas de carrinho, e continha o filho, como deduzi, com a mão. Aqueles olhos faiscantes e aquela boca sorridente... ah!, que delícia!, não se atentaram ao filho. Ele, como toda criança enérgica e impulsiva, correu à frente do meu carro em movimento. Naquele instante, toda a mágica feita pelos olhos daquela mamãe foi quebrada e me vi atropelando uma criança de quatro ou cinco anos. Não parei o carro. Passei "por cima" do moleque e fui embora. Abri a garagem e continuei meu trajeto tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Eu nem moro lá, mesmo. Quem mora lá é a Cynthia, uma secretária minha que tou comendo e que, por sinal, vai chegar atrasada ao serviço hoje. E se ela negar fogo por causa disso, que se foda. Eu a demito por chegar atrasada e ainda contrato a irmã dela.
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