segunda-feira, 31 de julho de 2006

CTR


Percorro milhares de segundos por dia, milhões ate aqui. Assisto a vida passando e passo junto com ela, contando vezes, marcando o tempo com simbolos. E é bom fazer isso.

A campainha toca. É daquelas cigarras que emitem um peim de dois tons: o primeiro tom é quando o peim começa e o outro é quando termina. O período que fica entre o primeiro e o segundo tom é calculado pela personalidade do musico de campainha. E como dessa vez não foi um breve e sim um ousado e longo aperto, eu já calculei problemas. Conferi o pente de minha pistola e a engatilhei fazendo aqueles barulhos escandalosos de filme:
CLAC, CRASHH, GRUNK!!
E como um de agente do FBI, encostei- me na parede segurando a pistola com as duas mãos, abri a porta de supetão e apontei bem na testa do infeliz, um soldado disfarçado de jogador da seleção brasileira:
- Quietinho senão você morre!
- Errr...
Agora eu tenho a arma firmemente apoiada na nuca do inimigo. Ele olha ao redor, provavelmente pensando em como se safar dessa. Mas estou atento e ele sabe disso quando ergue os braços em rendição. Eu preciso de informações:
- Quem lhe mandou aqui?
- É meu trabalho.Sou pago para fazer isso.
- Mercenário! Vou lhe poupar a vida. Volte e avise os outros que o próximo que vier aqui, morre! Agora saia daqui!
O soldado vira-se lentamente e retira-se cuidadosamente. E quando o elevador chega , ele me pergunta receoso:
- Senhor, esse controle remoto atira mesmo?
Apertei o gatilho da pistola, apontando em sua direção mas mirando no chão, o queria vivo para relatar meu aviso. Desesperado, o soldado entra gritando de pavor no elevador. O tiro não o atingiu, só fez mudar do SBT . Foi assim que me livrei do carteiro e acabei estourando o tubo da televisão com um disparo ao aumentar o som no controle remoto. É tudo preto, acabei me confundindo.

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