terça-feira, 12 de dezembro de 2006




Acordei de madrugada, todo suado e ainda assustado. Não lembrava mais do sonho, sempre esqueço assim que acordo. Pelo meu estado, o chefe devia estar bravo. É engraçado isso, sigo ordens que não ouço, mas estão ali, a tilintar na minha cabeça como um milhão de sinos. Tinha de escrever.

Liguei o computador ainda sem saber oque escrever: Abri ?O Diário Secreto de Um Lunático?, mas a história parecia morta e resolvi que não tiraria nenhuma parte do livro só para alimentar esses leitores retardados. Além do mais, fazia frio pra caralho e não iria sair as ruas só para aprontar alguma e poder contar.

Penso em escrever um conto do Jê, mas meu espírito perturbado não contribui, a inspiração não vem. - Foda-se. Vou escrever qualquer merda no Abobra mesmo. Reparo que o Firefox está com um usuário nunca visto antes salvo no campo login. A senha em branco.

Os sinos em minha cabeça se acalmam e ouço com clareza. Senha válida.

As horas se passam e o editor do blogger em branco. Meu telefone toca. Sei que não devo atender, apenas escrever. Os sinos voltam com força redobrada. Minha mulher, acordada pela insistência do telefone, atende e me dá a notícia:

- Mataram o Tobby.

Entendo o recado. EU MATEI O TOBBY.

Essas ordens. Esses sonhos. Preciso escrever!

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