sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

A minha mulher muda

Eu perdi o controle e bati nela com força. E ainda matei o vira lata dela com um tiro. E depois de acordar da pancada três dias depois, não quis mais me dirigir a palavra.

- O que tá sentindo mulher ?
- ...
- Durmiu por três dias.
- ...
- Se não acordasse ia te enterrar viva, no mesmo buraco daquele vira-lata maldito.


Fica lá trancada na cozinha, nem quando estou na sala quer assistir a novela, prefere então dormir cedo. Quando fala comigo é só pra pedir dinheiro quando as coisas estão acabando em casa.

Dei um encoxada nela na cama, chamando pra dar uma nhanhada, e a rabugenta fingiu estar dormindo. Adoro quando ela não toma banho, fica aquele cheiro de fritura no cabelo, fiquei bombado. Com ela de lado, puxei a calcinha e meti sem dó, "Não resista, se não eu meto é no cuzinho" falei. Foi bom, porque durante a madrugada dei mais duas, e ela ficou calada. Melhor assim. Calada !

E foi assim durante dias. Calada ! Nem mais me pedia dinheiro, comecei a descobrir as coisas só pela expressões dela. Cara de um jeito, é porque queria 5 reais, cara de outro jeito é porque queria 10 reais, cara feia é porque tinha acabado tudo em casa.

Durante meses, só nahnhava de lado ou de bruços. Nunca papai-mamãe. Sem um pio. Sem gemido. Sem mostrar qualquer tesão. Passou um ano, e acabei me acostumando com uma mulher muda dentro de casa. Até os vizinhos se acostumavam, sempre respondia aos curiosos "Não sei, isso deve ser coisa na cabeça. Ela escorregou quando polia o chão, com o tempo sara".

A paulada que dei na cabeça dela deve ter mexido em algum miolo. Mas não me arrependo. Ela mereceu. Mereceu sim. Devia ter matado e enterrado com o vira-lata. Mas apesar de tudo, tenho simpatia pela figura, sabe cozinhar, lava bem e tem uma bunda farta. Apesar dela ter feito o que fez. Ela sabe que é errado. Transar com animais não é a coisa certa. È coisa de quem fica possuído pelo capeta. O Capeta faz coisas com as pessoas que elas mesmas não acreditam. E transar com animais é uma dessas coisas. Bati com um pedaço de pau e dei um tiro na cabeça do animal, foi a única maneira que consegui despregar os dois.

Já se passou muito tempo, e ela ainda não fala comigo e com mais ninguém. As vezes vejo ela ajoelhada perto do lugar onde está enterrado o cão. Isso me dá raiva. Tenho vontade de ir lá e acabar com a vida da infeliz, mas o que há de se fazer. Ela é minha mulher.

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