
Mulher parruda, castigada pelo sol, pelo sol de labuta. Os entretantos? Você não vai me explicar o que não quero saber, faço o serviço e ponto final. A causa ou a razão é motivo de quem pede , não de quem vai fazer. E quem pede e paga, acaba recebendo o combinado. A mulher avisa:
- Ele é arisco, já nasceu bravo. Lhe chamam Tatarana mas seu nome ninguém sabe direito. Tome cuidado , seu Clodomil.
- O lugar e o dia , dona.
- Em Miracema, dia 28.
Era prudente não chamar atenção. Deixei meu Fusca Baja na cidade e segui viajem de ônibus atrás do cabra. Em três dias achei o homem. Ele era metódico cheio de manias. Parecia saber que a vingança lhe rondava. Tinha a coragem desenhada no rosto e a certeza da morte no olhar. Mas todo valente tem uma fraqueza e Tatarana se era homem, também havia de ter uma. Logo eu descobriria.
Em sete dias matou dois homens e pelo que entendi, um foi a serviço, outro de ruindade mesmo. Com o tempo, lhe tive na mira por um punhado de vezes, mas minha obrigação tinha lugar e dia.
- Em Miracema, dia 28.
Desta feita, acabei por pensar num serviço de fino acabamento, cercado de detalhes. A raiva já também amargava minha boca. Andando e vendo o que já vi, juro que fazia o trabalho sem cobrar, por gosto de ver o desgraçado no sofrimento.
E no sábado, o bicho tava arretado. Na casa das meninas, bebeu feito o cão, mas andava mais reto que padre em dia de procissão. Desconfiado, não falava e nem barulho fazia. Lá pelas dez da noite, arrumou uma rapariga sem encanto e zelo nenhum , trancando-se no quarto em seguida.
Pois a moça fez o combinado, deixou o homem lhe desejar e se despir. Dada a hora certa do bote, a puta apagou a luz. Em demência, Tatarana se levanta alertado e corre ate o interruptor. Arrombei a porta velha com o pé e peguei o safado desarmado, apontando minha espingarda na nuca do infeliz que se compunha do medo de escuro:
- Quietinho. Dessa distancia não erro nem bem-ti-vi voando.
Tatarana me olha com desprezo mas aceita a rendição sem duvidar e quer a punição sem delongas:
- Pois faça o que tem que ser feito.
- Vou fazer. Amanhã cedo em Miracema.
Joguei as algemas e ordenei:
- No pulso e na canela.
O homem cumpriu mas já não tinha certeza do destino. Nem do dele, nem do meu:
- Seu moço, não brinque com isso, a morte não manda recado. Se ela veio pela sua mão, que seja. Só não deixe que a sua chegue pelo meu pau de fogo.
Foram precisos vários golpes ate o rendido tombar desacordado. Com um capuz, lhe dei de volta o medo do escuro. Ele acordou em Miracema, encapuzado e algemado com os braços para trás num poste. Ouviu uma musica tocando alto, era uma musica americana que falava de amor pelo tom da cantora. Em seguida, foi prestando atenção numa voz que falava o nome dele.
- Tatarana, meu amor, eu trouxe você aqui pra lhe prestar uma homenagem...-
Era a voz de Midinha - Escrevi uma carta pra televisão e pedi ajuda a Clodomil!
Alguém retira o capuz da vitima que olha uma festa de aniversario montada em praça publica.
- TATARANA, você esta recebendo um TELEGRAMA LEGAL do Programa do Gugu! Feliz aniversario!!
A bordo do Baja, eu já seguia em distancia segura. Em Miracema, Tatarana chorava e não era de felicidade.
Meu nome é Clodomil, também faço constrangedores telegramas fonados e animo festas, ridicularizando os participantes com brincadeiras desagradáveis.
P.S. Tatarana é personagem do WORM blablabla blablabla e etc.
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