sábado, 18 de junho de 2011

Nove

O ônibus circular sujava o silencio da madrugada com o grave ruído de seu motor, neblina de frio, luz baixa lambendo o asfalto quase molhado, primeira , segunda, terceira, um balanço calmo e eu, passageiro, acabei dormindo no banco.

Acordei com o motorista me cutucando com uma caneta Bic: - Ponto final, amigo.

Levantei assustado e envergonhado, passei a mao no cabelo tentando acertar algo e desci quase correndo do veiculo, não olhei pra trás, escondo o rosto olhando pra frente. Sempre em frente com passos firmes. Dobrei a primeira esquina e so então me perguntei olhando a rua cheia de chalés e casas térreas, um luz aqui, outra ali, um poste de luz amarelada:

- Onde diabos estou? – Acendi um cigarro e o calor da fumaça me encheu o peito, frio, fazia muito frio. Continuei a caminhar procurando por alguma referencia, uma avenida, um bar aberto, andei uns cinco minutos e tudo era igual, casa, luz, poste, casa, luz, poste. Decidi que era melhor voltar pro ponto do ônibus, eu ia acabar andando a madrugada toda e chegar em lugar nenhum. Acertei a gola do casaco e segui de volta, encolhido dentro da roupa, rua de terra, um matagal danado, não tinha reparado nesse mato, acho que não foi por aqui que eu vim, parei e olhei ao redor, era tão estranho, caralho, me perdi! Ando sem rumo e vejo um despacho, uma macumba, logo em frente, passo bem perto dela, tem velas, prato de barro , uma galinha morta, cachaça num copo e dinheiro. São notas de 50 abertas como um baralho e limpinhas, me agacho e me interesso nos detalhes, olho ao redor e não vejo ninguém, pego o dinheiro e conto, nove notas, embaixo das notas , um envelope, enfio o dinheiro no bolso da calça e ressabiado confirmo se não tem mesmo ninguém por perto, nada, pego o envelope aberto, tem uma corrente que parece ser de ouro, grossa, rápido pra dentro do bolso do casaco, embaixo de um prato de barro, uma folha de caderno aspiral, removo com cuidado o prato e pego a folha dobrada em quatro e cortada numa ponta, desdobro e o picote é um quadrado furado no centro da folha. Redobro e coloco a folha de volta abaixo do prato. Ouço um ruído atrás de mim, viro assustado, era um Exu sobre a luz amarelada do poste. E está sorrindo pra mim.

O pingo preto nunca sai, vai ficar pra sempre, quando o pingo é preto, nunca sai.

10 comentários:

Hitman disse...

Cara, eu imagino que vc não tenha mais saco pra escrever esses posts.

Mas continua. Vc manda bem, acompanho vc desde muito tempo. Continua a escrever.

H-RJ disse...

Pô Velho tú fica 10 anos sem postar nada e quando escreve alguma coisa vêm com macumba????
KD os Thompsons, Buceta encardida...aqueles posts maneiros???

Paulo Santos disse...

Ah, tá valendo.
Ficou bom sim.

\/elho! disse...

Relax, escrevo so pra espairar.

o penultimo passageiro disse...

E AÍ VELHO! NÃO ENTRA MAIS NA PSN ?

O QUE ACONTECEU, MANO?
QUÉ NÃO, PODE NÃO, SUA MULHER NÃO DEIXA NÃO?

\/elho! disse...

JailBreak.

Miratus disse...

Ae \/elho!! Como sempre mandando ver ae nessas historias com humor psicodelico! Show de bola! Leio essas paradas desde 2002 hehehe!

Gory disse...

Muito bom !

julião disse...

H.I.P.

Anônimo disse...

bom, mas que chupação de ovo...

bando de boiolas.
pena, bons ensaios prum publico dacadente.

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